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Say a Little Prayer for You by Aretha Franklin on Grooveshark

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Melhor Amigo do Snoopy


Será que a coisa é só minha ou você também tem a mania de achar que aprendeu com o erro de hoje e amanhã você será, automaticamente, uma pessoa melhor? “Ah, tá! Entendi. Foi mal...”. E amanhã lá vem o desengano novamente. Coisa chata. Errar é humano, insistir nele, é burrice. Já dizem os sábios povos do mundo. Aposto que esse ditado tem tradução em tudo quanto é canto.

Minhas horas de almoço eu faço de tênis. Sim, porque é o momento mais corrido do meu dia, sem a menor dúvida. Deixo minha mesa de trabalho e assumo o papel de “mothern”. Começo o almoço já terminando e cumprindo a sequência da higiene.

“Filhooo, vem escovar os dentes.”

“Já vou mãe.”

E demora.

Marcelo, eu já saí da escola há muito tempo e não levo mais ocorrência se chegar atrasada (não, hein?!), mas você vai perder o primeiro horário, ficar plantado no pátio esperando seus colegas...”

Isso é (uma amostra do) que eu falo. Mas cada vez mais, percebo que ele ouve assim:

“Mar... blá, blá, blá, blá...”

Sabe a professora do Charlie Brown? Tipo isso. E hoje, enquanto eu ia falando o discurso do “eu já saí da escola” e caminhando em direção ao lavabo, ouvi que ele vinha atrás de mim, mas emitia um som diferente. De repente o som parou. E eu repeti mais um pouquinho (tá bom, tô ficando chata meeessssmo) e comecei a escovar os meus dentes. Eis que ouço “pá, bum, crash!”. Já saí do banheiro com a calma que me é peculiar. Estranho, não penso se ele se machucou, já penso logo na arte. E ANTES de repreender, meu cérebro me acalma e me lembra: “Filha, será que o menino se machucou?”. É incrível, milésimos de segundos fazem uma diferença... Aí eu pergunto com calma: “O que houve Marcelo?”. E ele vem, sempre, com muita criatividade: “Mãe, eu tava só, devagarzinho, e sem querer, e eu não sabia, foi só um pouquinho, quase que eu...”. Mas nessa hora, eu escuto assim: "blá, blá, blá...". E já começo a procurar os danos. Bom, rapidamente dá pra ver que a criança está bem, pois tem condições explícitas de inventar um monte de besteiras. We have the winner! A raiva encontra seu espaço e CRESCE!

Nunca sei exatamente como fico e como é que se faz pra não ficar. Mas as reações do pequeno forçam de novo aquele exercício de milésimos de segundos. “Quero torcer o seu pescoço / Mas é tão lindo, tão pequenininho / Concentra! / Já falei mais de mil vezes que isso pode dar errado / Ele tá chorando! Ah, não! Detesto ver meu filho chorar... / E você insiste em fazer o que eu digo que é errado... / Nossa, ele engoliu a lágrima e o olho está roxo de tanta força para segurá-las! / Desculpa não conserta mesa e nem junta braço. Vem cá, vamos conversar. Mas antes temos que escovar os dentes, colocar o tênis, pentear o cabelo e ir pra escola. Senão, você vai chegar atrasado e quem vai ficar esperando o segundo horário é você, porque eu já saí da escola...”

Eu, professora do Charlie Brown. Essa é boa...

3 comentários:

Laura de Oliveira disse...

Nossa, e eu achando que fosse a única mãe do mundo que não tava, aos 30, vivendo o mito da maternidade perfeita pra caramba... Mas, assim, acabei de fazer um discurso desse mesmo modelo pro Samuel. E, tenho certeza, ele não escutou NADA. Amanhã tem mais... hahahaha

Dri, tem vizinha minha aqui no condomínio que insiste em me enganar dizendo que NUNCA perde a paciência com o filho e que, nem precisaria, porque ele é um santo e a maternidade, "aaaaaah, a maternidade é tão perfeita que eu nem sinto sono, você acredita? Sempre tô pronta pra fazer tudo, nunca tô cansada" Ahan, senta lá Cláudia...

Pelo menos, pra mim, quando elas começam com o mito, só ouço blá blá blá, acho que elas são mais professoras do Charlie Brown do a gente.

Porque a gente vive a realidade, com suas delícias e suas dificuldades também. ;) Graças a Deus pelos filhos e pela imperfeição das mães!

BjO em vocês de nós todos!

Cláudio Beling disse...

Dri,
Melhor que aprender com os erros é não cometê-los de forma consciente. É o matra budista conhecido há 4500 anos. Nam-Myoho-Rengue-Kyo. Lei de causa e efeito. O que fazemos de errado retorna para nós, afastando-nos da felicidade verdadeira. Blá blá blá blá...

dRI disse...

Claudio, meu amigo, embora pequenos, Lucas e Rafa já te ensinaram o blá, blá, blá. Picou!